Devocional: Ao Teu Nome Dá Glória

Texto: Salmo 115:1 – “Não a nós, SENHOR, não a nós, mas ao teu nome dá glória,
por amor da tua benignidade e da tua verdade.”


Amados irmãos e irmãs da Primeira Igreja Batista Reformada de Jataí,
Hoje é um dia especial. Celebramos não apenas um marco numérico, mas um testemunho
da fidelidade de Deus. São dez anos desde que esta igreja foi oficialmente organizada.
Dez anos de cultos, discipulados, aconselhamentos, batismos, evangelismo, lágrimas,
orações e perseverança. E neste momento de celebração, é vital que ecoemos, com todo
o nosso ser, as palavras do salmista:

“Não a nós, SENHOR, não a nós, mas ao teu nome dá glória, por amor da tua
benignidade e da tua verdade.”


Não estamos aqui para louvar uma história construída por mãos humanas. Não estamos
aqui para elogiar nossa fidelidade, nossa estrutura, nosso esforço. Nós nos reunimos para
reconhecer que se não fosse o Senhor que esteve ao nosso lado, já teríamos sido
consumidos.

Este versículo nos ensina três verdades profundas sobre a vida e missão da igreja.
Verdades que devem moldar não só a nossa gratidão pelo passado, mas a nossa esperança
para o futuro. Essas três verdades giram tem torno de um propósito central para a igreja
– a glória de Deus.

1. A humildade que glorifica: “Não a nós, SENHOR”

O salmista repete: “Não a nós… não a nós.” Isso não é redundância poética, é ênfase
teológica. A glória não é nossa. Essa é a primeira nota do cântico reformado da salvação.
O coração regenerado não suporta receber glória para si mesmo. Ele transborda em
humildade e rende toda a honra ao Senhor.

Esta é a marca de uma igreja verdadeiramente reformada: a consciência viva de que tudo
é por graça soberana. Nada que esta igreja alcançou foi por mérito humano. Nenhum
fruto espiritual foi produzido por força carnal. Toda boa dádiva veio do alto. Nenhuma
alma se converteu a Cristo pela capacidade de seus pastores e membros, pelo poder de
Deus.

Vivemos em uma era obcecada por imagem, influência, relevância e performance. Mas a
igreja de Cristo não é uma vitrine de talentos, é um altar onde se queima o incenso
da glória de Deus
. A fé reformada vai proclamar: Soli Deo Gloria – somente a Deus seja
a glória. Isso queima o teu coração? Você é movido por esse propósito? Pois deveria.
Nada traz mais alegria, sentido e propósito para um ser humano do que reconhecer que
tudo é para a glória de Deus.

2. A glória que é exclusiva: “Mas ao teu nome dá glória”

Por que ao nome do Senhor? Porque o nome de Deus é a revelação de quem Ele é. O
nome do Senhor é majestoso, santo, eterno. Seu nome é refúgio para os que creem. E
acima de tudo, esse nome foi revelado perfeitamente em Jesus Cristo.

Não tem com falar sobre a exclusividade da glória de Deus sem falar de Cristo. Ele é a
glória de Deus encarnada. Ele é a exata expressão do Ser de Deus. É nEle que vemos a
plenitude da graça e da verdade. É por meio dEle que o Pai nos atrai, nos salva e nos
sustenta.

Sabendo que é para a glória daquele homem perfeito, que foi pendurado no madeiro há
dois mil anos, que permaneceremos firmes no ministério. É para a glória d’Aquele que
teve as mãos traspassadas por amor à Sua Igreja e que retornará em glória, que
perseveraremos no propósito de buscar a glória de Deus somente.

O culto da igreja, portanto, existe para glorificar a Deus por meio de Cristo. Não
inventamos a forma do culto. Não decidimos o que é melhor com base em preferências
humanas. Adoramos o Senhor como Ele mandou em Sua Palavra.

É por isso que a pregação da Palavra é central. É por isso que os sacramentos são
celebrados com reverência. É por isso que cantamos salmos, hinos e cânticos espirituais,
com entendimento e temor. Porque a glória é de Deus e a adoração é para Ele.

Cristo é o único mediador. A Ele pertence toda autoridade. Ele é a cabeça da Igreja. Ele
prometeu: “Eu edificarei a minha igreja.” E Ele é fiel. Nós constantemente ficamos
ansiosos diante dos problemas comuns que atacam a igreja. Mas recordar desse propósito
central nos trará paz e confiança.

3. A base da glória: “Por amor da tua benignidade e da tua verdade”

Até aqui vimos que tudo é para a glória de Deus. Como esse propósito se conecta a nós
de forma direta e pessoal? O salmista responde na última parte do versículo: “por amor
da tua benignidade e da tua verdade.”

A palavra benignidade aqui descreve o amor pactual de Deus. Não conseguimos avançar
no propósito de glorificar a Deus por nossos méritos. Mas por causa do amor pactual de
Deus com seu povo e com esta igreja durante estes 10 anos. Portanto, não pensamos na
glória de Deus como algo distante e indiferente de nós. Nós buscamos a glória de Deus
por causa da sua bondade para conosco. Problemas, dificuldades, crises, divisões,
rompimentos, calúnias contra igreja e seus pastores nos cegam para a fidelidade de Deus.
No entanto, olhe para a realidade espiritual diante de você? Você só chegou aqui porque
Deus tem sido bom e fiel.

Esta igreja está aqui há dez anos porque Deus é benigno e fiel. E essas duas virtudes se
encontraram de maneira gloriosa na cruz do Calvário. Foi ali, no Gólgota, que Deus
mostrou o Seu amor e Sua fidelidade. Ali, a justiça e a misericórdia se abraçaram. Foi na
cruz que a glória de Deus brilhou mais intensamente em seu amor e fidelidade para com
sua igreja.

Toda glória a Deus — porque Ele nos salvou somente pela graça, mediante a fé, em
Cristo somente, segundo a Escritura, para a Sua glória e não para a nossa.

Aplicações

1. Aos Membros

Primeiro, a vocês, irmãos membros desta igreja: permaneçam humildes. Sejam pacientes
com o Senhor. Sejam também pacientes com o seu pastor. Ele não é perfeito, mas foi o
homem que Deus, em Sua soberana providência, designou para velar por cada alma desta
congregação. Talvez você não perceba, mas ele está lutando em oração por vocês.

E permitam-me usar o português das Escrituras: “Obedecei a vossos pastores …” (Hebreus
13.17).

Tal atitude será uma bênção para esta igreja. Ao obedecerem e se submeterem aos seus
pastores, vocês estarão glorificando a Deus, pois, ao fazerem isso, estarão se submetendo,
na verdade, ao Supremo Pastor das ovelhas, Jesus Cristo.

Orem por perseverança — tanto a de vocês quanto a dele. Perseverem porque Cristo tem
sido bondoso e fiel com esta igreja.

2. Aos Presbíteros

Aos presbíteros, pastores e líderes: sirvam com reverência e temor diante de Deus. O
ministério não é palco para exibição, é púlpito para proclamação — lugar sagrado onde
vocês são chamados a derramar suas almas em oração, intercessão e ensino por amor às
ovelhas de Cristo.

Não é status, é serviço. Portanto, pastoreiem com ternura, exortem com coragem,
ministrem com humildade. E nunca abram mão da autoridade espiritual que o Senhor lhes
confiou, pois um dia haverão de prestar contas diante do Justo Juiz pelas almas que lhes
foram confiadas.

3. Dinâmica

Irmãos, peço que olhem, neste momento, nos olhos do seu pastor e da sua esposa. Pastor
e esposa, peço que também façam o mesmo: olhem nos olhos dos membros desta igreja.

Olhem para o rosto de cada irmão. O que vocês estão vendo? Pessoas cheias de limitações
e pecados, sim — mas almas eternas. Almas eternas olhando para almas eternas.

Igreja, sofram pelo seu pastor, por sua esposa e por seus filhos, assim como eles têm
sofrido por vocês. Sabe o que irá ajuda-los a agir assim. Lembrar que tudo é para a glória
de Deus e não para a nossa glória.

O objetivo dessa breve dinâmica é lembrá-los de que vocês são seres humanos, frágeis e
carentes da graça. Tudo precisa ser feito com metas, esforço e trabalho árduo, mas nunca
se esqueçam do propósito que Deus colocou diante de vocês (a glória de Deus e base dela
quando relacionadas ao seu povo: sua bondade pactual e fidelidade constante).

Lembrem-se deste momento, em que vocês olharam nos olhos uns dos outros, quando
vierem as lutas, as calúnias e as difamações, quando surgirem tentações para afastar vocês
uns dos outros, e quando o inimigo tentar dividir esta igreja.

Que este compromisso, firmado olho no olho, de buscar a glória de Deus acima de tudo,
seja o que os guie pelos próximos 10, 20, 50, 100 anos — e também as futuras gerações.

Conclusão

Dez anos se passaram. E o que temos a declarar?

Não a nós, Senhor. Não a nós.

Foi Tua graça. Tua fidelidade. Tua Palavra. Teu poder. Teu Filho. Tua glória.

E se vivermos mais dez anos — ou cinquenta — que cada culto, cada discipulado, cada
cântico e cada lágrima continuem dizendo:

“Não a nós, SENHOR, não a nós, mas ao teu nome dá glória, por amor da tua
benignidade e da tua verdade.”

Que esta igreja continue sendo uma tocha acesa na cidade de Jataí — uma igreja da
Palavra, uma igreja do evangelho, uma igreja de Cristo, uma igreja para a glória de
Deus
.


Amém!

Pregação proferida em 27/07/2025
Rev. André Queiroz

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