Tivemos o privilégio de receber, entre os dias 26 a 28 de julho de 2025, aqui na Primeira Igreja Batista Reformada em Jataí-GO (PIBR), o Reverendo Marcelo Ximenes, pastor da Igreja Batista Reformada do Recife. Foram dias de edificação, comunhão e alegria no Senhor. Após esse tempo precioso com a igreja, coube a mim levá-lo de volta à Goiânia, de onde seguiria viagem para Recife. No caminho até o aeroporto, enquanto o carro cortava as estradas do cerrado goiano, a conversa tomou um rumo inesperado — e profundamente espiritual.
Ele me fez uma pergunta que soou mais profunda do que aparentava:
— O que levaria alguém, como os antigos Bandeirantes, em tempos sem tecnologia, sem estradas, sem conforto, a se lançar rumo ao desconhecido, enfrentando perigos incontáveis para desbravar essas terras tão longínquas?
A resposta lógica, quase automática, nos vem: buscavam ouro, riquezas, um tesouro terreno. E de fato, não é sem razão que as Escrituras nos alertam com precisão divina:
“Porque, onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.” (Mateus 6:21)
Mas naquele instante, não era ouro o que queríamos encontrar. Era algo muito mais precioso.
Então, olhando para ele, devolvi a pergunta com outra imagem:
— Talvez, daqui a muitos anos, quando não estivermos mais aqui, alguém se pergunte: “O que levou um pastor, lá de Recife, a cruzar o país, enfrentar horas de espera em aeroportos, e ainda viajar por mais quatro horas até o interior de Goiás, apenas para pregar em uma pequena igreja, com 26 membros, a convite de um amigo?”
Ele sorriu. E com os olhos brilhando respondeu com simplicidade, mas com convicção:
— Fazemos isso porque os nossos olhos estão fixos no Reino de Deus.
E então, meu coração se aquietou, e respondi com alegria:
— Sim, esse é o nosso verdadeiro tesouro. Aquele que nem o ladrão rouba, nem a ferrugem consome, nem a traça destrói.
Aos olhos do mundo, pode parecer loucura. E, de fato, como nos lembra o apóstolo Paulo:
“Nós somos loucos por causa de Cristo […] até agora, temos chegado a ser considerados o lixo do mundo, a escória de todos.”
(1 Coríntios 4:10-13)
Somos peregrinos, desajustados, homens que caminham por fé e não por vista. Pregamos em lugares pequenos, em cidades esquecidas, diante de pessoas preciosas — porque sabemos que a menor das sementes, regada com fidelidade, pode dar frutos eternos. Sabemos que há glória escondida na obediência silenciosa.
Pois a loucura dessa pregação, que para o mundo é escândalo e insensatez, é para nós poder de Deus:
“A palavra da cruz é loucura para os que perecem, mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus.”
(1 Coríntios 1:18)
Deus, em sua infinita sabedoria, escolheu salvar os que creem pela loucura da pregação. E assim seguimos — não por fama, não por número, não por conveniência — mas porque conhecemos Aquele que nos chamou. E sabemos que Ele é digno.
Seguimos porque o Reino de Deus vale mais que o ouro dos antigos exploradores. Vale mais que o conforto. Vale mais que a lógica.
Vale tudo. Porque Cristo é o nosso tesouro.
Rev. Paulo Júnior Salgado de Moraes
