A Beleza da Amizade

Hoje quero compartilhar algo que tem se tornado cada vez mais precioso para mim ao longo da caminhada ministerial: a beleza da amizade.

Nos últimos anos tenho tido a oportunidade de andar bastante pelo Brasil. Já estive na região Norte, no Sudeste — com bastante frequência —, no Centro-Oeste (afinal moro aqui) e também no Nordeste. Apenas o Sul ainda não conheço, mas creio que não faltará oportunidade.

E em meio a tantas viagens, encontros, conversas e momentos de comunhão, uma percepção tem se tornado cada vez mais clara no meu coração: como é bom ter amigos.

Hoje tenho vários pastores com quem troco mensagens, compartilho experiências do ministério e com quem oro. Entre eles, alguns tenho o privilégio de chamar de amigos.

Talvez alguém pense que isso seja uma postura sectária, mas creio que seja muito mais uma questão de afinidades que surgem ao longo da caminhada. Afinidades que nascem das mesmas convicções, das mesmas lutas e do mesmo amor pela igreja de Cristo.

Se olharmos para o próprio Senhor Jesus, vemos algo semelhante. Havia mais de setenta discípulos (Lucas 10.1). Dentre esses, Ele escolheu doze apóstolos (Lucas 6.13). Ainda assim, havia três que estiveram com Ele em momentos muito especiais, como na transfiguração e também mais próximos dEle no Getsêmani (Mateus 17.1; Marcos 14.33).

E mesmo entre esses três, havia um que tinha uma proximidade ainda mais singular, aquele que reclinava a cabeça sobre o peito do Senhor (João 13.23).

Isso nos mostra que o próprio Mestre tinha relações de maior proximidade. Não porque excluísse outros, mas porque, sendo também verdadeiro homem, experimentava as afinidades naturais da convivência.

E isso me faz lembrar constantemente de algo simples e profundo: nós também precisamos de amigos.

Recentemente estive na Igreja Batista Reformada Aliança do Calvário e, como tenho aprendido ao longo dos anos, não fui sozinho. Fui acompanhado pelo Diácono Emanuel, da Primeira Igreja Batista Reformada em Jataí-GO.

Com o tempo aprendi algo muito simples, mas profundamente importante no ministério: não é bom caminhar sozinho.

Emanuel tem sido uma grande bênção em minha vida. Ele é um verdadeiro diácono — não apenas alguém que ocupa um ofício, mas alguém que internalizou o seu chamado. Em muitas ocasiões ele me acompanha nas viagens, compartilha responsabilidades e, não poucas vezes, tem sido instrumento de Deus para me confortar nas lutas do ministério.

Mas algo que admiro profundamente nele é isto: mesmo servindo com tanto zelo, ele se deixa pastorear. Mantém um coração ensinável, humilde, disposto a ouvir, aprender e caminhar debaixo do cuidado pastoral.

Essa combinação é rara e preciosa: servir com fidelidade e, ao mesmo tempo, manter um espírito humilde diante do Senhor.

Também tive a alegria de encontrar o Pastor Cunha e os demais pastores da Igreja Batista Reformada Aliança do Calvário, homens que, assim como nós, carregam o peso do ministério, as responsabilidades diante do Senhor e o profundo desejo de ver a igreja de Cristo edificada com fidelidade.

E algo que me marcou profundamente naquele encontro foi perceber que, apesar das muitas lutas que o ministério inevitavelmente traz, o Pastor Cunha permanece firme juntamente com os demais pastores.

Mesmo pastoreando uma igreja relativamente grande para os padrões das igrejas batistas reformadas, ele se mostra alegre, brincalhão e acessível. Sem perder a seriedade do ministério, mas também sem perder a sua humanidade.

E confesso que isso me alegrou profundamente. Porque, em nossas conversas, algo aparecia com muita clareza: como é uma bênção não estarmos sozinhos no ministério.

Como é bom termos um colegiado de pastores. Isso não significa impor as mãos precipitadamente, mas caminhar ao lado de homens maduros que podem ombrear conosco. Homens que não vemos como inferiores, mas como iguais. Como irmãos. Como amigos.

Então, caro leitor, permita-me dizer algo de coração: tenha amigos perto de você.

Pela graça de Deus, tenho experimentado isso em minha própria caminhada.

Tenho amigos na Igreja Presbiteriana do Brasil, como o Rev. Rogério e outros irmãos queridos. Tenho também amigos na Igreja Presbiteriana Independente, como o Rev. Mário Henrique. E também amigos na Assembleia de Deus, como o Pr. Paulo Roberto.

E faço questão de mencionar algo que guardo com profunda gratidão no coração. Todas as vezes em que estive doente, o Pr. Paulo Roberto não apenas se colocou à disposição para ajudar, mas fez algo ainda mais precioso: ele veio até mim. Sentou-se comigo, abriu a Palavra de Deus, meditamos juntos nas Escrituras e oramos ao Senhor.

Esses momentos ficam marcados na alma. Porque nessas horas percebemos que Deus usa irmãos para nos sustentar quando estamos fracos.

Também tenho amigos pastores nos Estados Unidos, como o Pr. Gustavo Porto, com quem converso frequentemente. E nunca me esqueço de uma conversa que tivemos certa vez. Em determinado momento eu o aconselhei; em outro momento ele me aconselhou.

E ao final daquela conversa chegamos à mesma conclusão e dissemos um ao outro:

“Como é bom ter um amigo pastor para alimentar a nossa alma. Como é bom saber que Deus usa outros para cuidar de nós.”

Também não posso deixar de mencionar meu próprio pai, Pr. Paulo Lima de Moraes. Muito do que sou hoje aprendi observando sua vida, seu ministério e sua fidelidade ao Senhor ao longo dos anos.

Outro amigo muito querido é o Pr. Marcus Paixão, que mesmo tendo uma agenda extremamente cheia, sempre encontra tempo para enviar uma mensagem de encorajamento, para me incentivar a continuar estudando, a me aperfeiçoar e a crescer no ministério.

E há ainda tantos outros amigos queridos que caminham comigo nessa jornada: Renan, Danilo, Salmeron, Fernando, Elivando, Marcelo, entre outros que me faltaria espaço para mencionar.

Com alguns tenho mais afinidades, com outros menos — e isso é natural da própria vida. Mas todos são amigos queridos, homens que Deus colocou em meu caminho para compartilhar a caminhada, as conversas, as orações e também os desafios do ministério.

Mas há um amigo que preciso mencionar de maneira especial: o Pr. William Teixeira, pastor da Igreja Batista Reformada do Jabaquara, em São Paulo.

Há cerca de seis meses temos desenvolvido um hábito que se tornou uma das maiores bênçãos da minha vida ministerial: oramos juntos todos os dias.

Mesmo separados por mais de 1.200 quilômetros, nos encontramos diariamente diante do trono da graça. Compartilhamos lutas, alegrias, preocupações pastorais, decisões difíceis e também os pequenos detalhes da caminhada que apenas quem está no ministério entende.

Quantas orações já vimos o Senhor responder nesse tempo.
Quantos momentos de lágrimas foram compartilhados diante de Deus.
E quantos momentos de riso e alegria também.

Assim como Daniel tinha seus horários de oração, nós também temos o nosso. E ali, dia após dia, guerreamos juntos diante do Senhor.

O que começou como uma simples disciplina espiritual tornou-se algo muito maior: uma amizade pastoral profunda.

Um amigo que está a mais de 1.200 quilômetros de distância, mas que pela providência de Deus se tornou um irmão muito próximo da minha alma.

Porque a verdade é que não são poucas as vezes em que pensamos em fugir.

Há momentos em que o peso do ministério parece grande demais. Momentos em que o cansaço se acumula, as preocupações com as ovelhas aumentam e as responsabilidades parecem não ter fim.

Há dias em que pensamos em desistir. Em correr para longe. Em procurar uma vida mais silenciosa e menos pesada.

Mas Deus, em sua bondade, usa justamente esses amigos — homens que sentem as mesmas dificuldades e enfrentam as mesmas lutas — para nos fortalecer e nos lembrar de que não estamos sozinhos nessa jornada.

Ao longo de dois mil anos, o Senhor escolheu alguns homens para cuidarem da Sua noiva, a Igreja. É um privilégio imenso fazer parte desse grupo de homens chamados por Deus.

Mas junto com esse privilégio também vêm as dores, as responsabilidades, as lágrimas e as lutas que acompanham esse glorioso chamado.

E talvez uma das maiores misericórdias de Deus para conosco seja justamente esta: Ele não nos chama para carregar esse fardo sozinhos.

Ele nos dá irmãos.
Ele nos dá amigos.
Ele nos dá companheiros de jornada.

Meus irmãos, se você é pastor eu lhe digo: tenha amigos.

Tenha amigos para tomar um suco, para conversar, para rir e também para chorar. Amigos com quem você possa brincar e ter liberdade de ser um ser humano real.

Não se esconda atrás de uma máscara. Às vezes acabamos utilizando a própria igreja ou até mesmo o cargo de pastor como uma forma de proteção, e com isso deixamos de nos permitir ser conhecidos de verdade.

Quando fazemos isso, também impedimos que outros nos amem e que nós amemos aqueles que Deus colocou em nossa vida justamente para nos edificar.

Não fique só. Que você possa ter amigos mais chegados que irmãos (Provérbios 18.24).

E que você também tenha pessoas para quem possa dizer, com sinceridade no coração, aquilo que um dia o apóstolo Paulo disse a Timóteo — palavras simples, mas carregadas de afeto, amizade e necessidade de comunhão:

“Procura vir ter comigo depressa.”
2 Timóteo 4.9

Que Deus lhe abençoe e lhe conceda amigos.

Rev. Paulo Júnior Salgado de Moraes
11 de março de 2026

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